Campanha salarial, piso digno e medidas de segurança para os jornalistas foram alguns dos temas que o Sindicato tratou em mais de uma hora de conversa com o diretor de redação de ‘O Globo’, Ascânio Seleme, e com a editora-executiva Silvia Fonseca na tarde desta segunda-feira (27/05). Os diretores foram recebidos dias após serem barrados na empresa quando iam esclarecer pontos da campanha salarial aos jornalistas. A restrição à entrada partiu do setor de recursos humanos. Na conversa, ficou acertado que Silvia será a responsável por mediar a autorização da entrada do Sindicato com o RH da Infoglobo. Uma nova visita deverá ocorrer até o fim desta semana, quando serão distribuídos os formulários da pesquisa sobre condições de trabalho nas redações cariocas.
Os diretores levaram à cúpula de ‘O Globo’ problemas que afligem a base da redação, como salários baixos, sobrecarga de trabalho e falta de segurança apropriada para coberturas externas. Os editores afirmaram que o jornal comprou mais equipamentos de proteção individual, presta assessoria jurídica aos jornalistas agredidos ou ameaçados e, ao contrário de denúncias que chegaram ao Sindicato, estimula o registro de ocorrência em delegacia. Sobre salários e jornada de trabalho, Ascânio disse que a empresa é ‘um dos melhores empregadores do setor no país, ao lado do ‘Estadão’. O executivo afirmou ainda que participar de atividades sindicais não rende represálias aos jornalistas do veículo.
‘O Globo’ é uma das empresas que adota o banco de horas negativo, em que o jornalista começa o mês devendo 21 horas extras. Ascânio reforçou o discurso de que o desconto ocorre por conta dos sábados não trabalhados, mas o Sindicato rebateu que a prática é ilegal e que luta pelo abono dessas horas, já que o banco não pode ser usado contra o trabalhador.
O Sindicato reforçou a necessidade de os editores sensibilizarem o setor de recursos humanos da Infoglobo, e o sindicato patronal, em busca de uma proposta que traga ganhos aos jornalistas do segmento de jornais e revistas na campanha salarial deste ano. Após um hiato de dois meses, a entidade marcou nova rodada de negociação para sexta-feira (30/05). Da última vez, a proposta previa reajuste de 5,26%, sem aumento real, e pisos de R$ 1.100 (trainee de jornais e revistas) e R$ 1.250 (repórter de jornais ou revistas após um ano efetivado).
