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Após mais de dois meses sem negociar, patrões de jornais e revistas oferecem proposta insuficiente

Diretores do Sindicato se reúnem com representantes das empresas de jornais e revistas
Diretores do Sindicato se reúnem com representantes das empresas de jornais e revistas

Depois de mais de dois meses sem sequer sentar à mesa para negociar com a nossa categoria, o sindicato patronal de jornais e revistas finalmente cedeu à pressão e participou de uma rodada nesta sexta-feira (30/05). As empresas apresentaram a segunda contraproposta desta campanha salarial, considerada, no entanto, ainda muito aquém das nossas reivindicações. Os patrões insistem em negar aumento real, quando lutamos por 5%, e querem reajustar os salários pelos 5,26% do INPC, em vez dos 6,47% do IPCA-Rio. A novidade seria um aumento de R$ 100 na proposta de piso salarial para profissionais com mais de um ano de formados (de R$ 1.250 para R$ 1.350). Para trainees, o valor permaneceria R$ 1.100.
Os patrões insistiram no discurso da alegada crise no setor. Se, no ano passado, foram reduzidos os lucros das empresas com faturamento publicitário, têm crescido, porém, os ganhos na internet – terreno para onde as redações cariocas se expandem com vigor.
O Sindicato afirmou na mesa de negociações que não seria justo as empresas dividirem a sua suposta crise com os jornalistas, posto que, na época da bonança, não houve distribuição das vantagens obtidas. A categoria não tem aumento real há 11 anos e está sem piso há 18.
Dados recentes mostram ganhos sensíveis das empresas de comunicação com a publicidade on-line. Após obter lucro de R$ 1,2 bilhão em 2013, o setor aposta em um crescimento dessas receitas em 10% este ano, de acordo com a pesquisa Inter-Meios, publicada pela revista ‘Meio & Mensagem’. Na contramão desse sucesso, os profissionais têm sido cada vez mais explorados em multifunções e em sobrecarga horária para se desdobrar entre publicações impressas e on-line sem receberem um centavo a mais por isso.
Na mesa de negociação desta sexta, os patrões rechaçaram a possibilidade de criar um adicional por reprodução de matérias, como reivindica o Sindicato. O benefício garantiria o pagamento de um salário-dia do jornalista a cada vez que um conteúdo produzido por ele seja publicado em outra plataforma ou veículo.
Mesmo cláusulas que não implicariam em custo foram rejeitadas pelos prepostos das empresas. É o caso da inclusão do Código de Ética do Jornalista Brasileiro e a criação de comissões de funcionários nas redações.
O Sindicato cobrou o cumprimento imediato das medidas de segurança tendo a vista a proximidade da Copa do Mundo e o alto índice de violência contra jornalistas – já são 70 profissionais agredidos e/ou hostilizados no Rio desde maio passado, de acordo com o nosso relatório. Por conta disso, ficou acertada a realização de uma reunião da Comissão de Segurança com representantes do patronato de radiodifusão e de jornais e revistas com o sindicato ainda antes do início do Mundial.
Diante da contraproposta rebaixada apresentada pelos patrões de jornais e revistas, o sindicato informou aos prepostos que, por decisão da última assembleia da categoria, os jornalistas do Rio entraram em Estado de Mobilização – com uma agenda de atividades previstas para as próximas semanas, visitas às redações com panfletagem e carro de som, e as pesquisas sobre condições de trabalho e assédio moral nas redações. O Sindicato também lançou um aplicativo, o Lide, uma enquete para medir a possibilidade de greve na categoria e realiza nesta terça-feira (3/6), às 19h, uma plenária para traçar estratégias.

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