Sindicato dos Jornalistas

domingo, outubro 4, 2026

Presença de jornalistas na assembleia do dia 2 é decisiva para acabar com ameaças de patrões

Encontro, às 12h30 e às 20h, discutirá estratégias para evitar que empresas deixem de pagar a participação de lucros
A ameaça das empresas jornalísticas de não pagar a participação de lucros e resultados (PLR) caso o acordo coletivo deste ano não seja fechado até o próximo dia 10 torna ainda mais urgente, e importante, a participação de todos os jornalistas na assembleia do dia 2. O encontro será realizado em dois horários: às 12h30 no auditório do Colégio Divina Providência (Rua Lopes Quintas 274 – Jardim Botânico) e às 20h no auditório do Sindicato (Rua Evaristo da Veiga 17, 16º andar – Centro).
A lei que regulamenta a participação de lucros e resultados determina que os pagamentos só podem ser feitos com um intervalo de seis meses, no mínimo. Com as negociações em um impasse provocado pelos patrões, o percentual de reajuste do benefício que está previsto no acordo coletivo ainda não foi definido. Isso cria um problema especialmente para os jornalistas de empresas que mantêm seus próprios sistemas de pagamento de PLRs, como é o caso da Rede Globo e da Infoglobo, pois os profissionais poderiam ficar sem receber um dos dois benefícios caso as negociações se estendam para além do dia 10, que é a data-limite.
No entanto, as empresas podem, por liberalidade, antecipar o pagamento da sua própria PLR ou até mesmo pagar a participação de lucros do acordo coletivo antes da conclusão da campanha salarial, de acordo com Claudia Duranti, advogada do Sindicato.
A assembleia terá o poder de propor soluções para o impasse, sem que haja prejuízos para a negociação em outras cláusulas, como as de reajuste salarial, aumento real, piso e por mais medidas de segurança nas redações cariocas. As estratégias debatidas no encontro podem orientar, inclusive, a conclusão da campanha salarial deste ano.
A última rodada de negociação com as empresas de rádio e TV nesta quinta-feira (26/06) terminou mais uma vez sem avanços nas cláusulas econômicas (reajuste, piso, vale-alimentação etc.). Os patrões insistem no reajuste de 5,26%, relativo ao INPC apurado em fevereiro, mês da data-base dos jornalistas. O Sindicato apresentou a pauta de reivindicações atualizada, com a inclusão das 16 recomendações de segurança do Ministério Público do Trabalho, da proibição do banco de horas negativo (em que o jornalista começa o mês devendo 21 horas ou mais) e medidas para combater o assédio moral.
Ficou acertado no encontro que patrões e Sindicato fariam, até a próxima negociação, uma depuração de todas as cláusulas do acordo que está em debate para um balanço dos pontos que estão consensuados, dos que precisam ser mudados ou do que precisa ser acrescentado. Ainda serão marcadas as datas das próximas rodadas de negociação com os patrões dos dois segmentos.
Os patrões de rádio e TV oferecem:
– reajuste de 5,26%
– piso salarial de R$ 1.450 (televisão) e de R$ 1.250 (rádio) para jornadas de cinco horas diárias
– valor de face dos tíquetes alimentação e/ou refeição de R$ 260
– Auxílio-creche de R$ 300 mensais
– PLR mínimo de R$ 1.400 e máximo de R$ 6.000 para empresas com mais de 150 jornalistas (única faixa a ser reajustada)
Os patrões de jornais e revistas oferecem:
– reajuste de 5,26%
– piso salarial de R$ 1.350 (repórter com um ano de experiência) e R$ 1.100 (trainees) para jornada de cinco horas
– valor de face dos tíquetes alimentação e/ou refeição de R$ 377
– PLR sem reajuste
O Sindicato briga por:
– Reajuste salarial de 11,47% (equivalente a reposição da inflação de 6,47% do IPCA Rio acumulado entre fevereiro de 2013 e janeiro de 2014 mais 5% de aumento real)
– Participação nos Lucros e Resultados com pagamento em cota única, equivalente a um salário do funcionário
– Piso salarial de R$ 4.927 para jornadas de cinco horas
– Fim das jornadas estendidas para além de seis dias sem uma folga semanal
– Fim da prática de desconto de 21 horas mensais do banco de horas
– Fim do assédio moral
– Inclusão das recomendações de segurança do Ministério Público do Trabalho
– Adicional de reprodução de matéria equivalente a 100% do salário-dia para cada utilização por outro veículo de comunicação, autorizada pelo empregador
– Fim do acúmulo de função
– Adicional de chefia ou cargo de confiança não inferior a 50% do salário base
– Tíquete refeição no valor de R$ 29
– Auxílio-alimentação no valor de R$ 700
– Auxílio-creche indexado ao salário mínimo na inexistência de creche nas dependências da empresa.
– Plano de saúde médico e odontológico para jornalistas e seus dependentes, inclusive companheiros.
– Adicional de periculosidade de 30% sobre o salário dia do profissional durante período de cobertura externa de conflitos sociais, catástrofes naturais ou ocasionadas pela ação humana e eventos de grande afluxo de pessoas
– Comissão de redação composta por três jornalistas por empresa, com garantia de estabilidade no emprego desde a candidatura até o final do mandato.

Mais notícias