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Nota em desagravo à Comissão de Ética do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio Janeiro

A Comissão de Ética do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro, em sua gestão atual, iniciada a partir da posse em 26 de agosto de 2013, tem exercido um papel fundamental para a garantia da defesa do Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, para o bem comum da categoria. Eleita em votação específica e com total autonomia em relação à diretoria, a Comissão de Ética tem funcionado como atenta guardiã dos valores e princípios que devem balizar a conduta dos profissionais. Essa atuação tem se pautado por um caráter, sobretudo, pedagógico, que avança para muito além de uma lógica meramente punitiva.
O Sindicato reconhece e atesta que a Comissão de Ética tem cumprido, de forma independente e idônea, a sua missão de apreciar, apurar e julgar as denúncias de transgressão ao Código de Ética, conforme deixa claro o Regimento Interno das Comissões de Ética dos Sindicatos, da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj). Nesse sentido, todo o apoio e recursos necessários para o bom funcionamento da Comissão têm sido fornecidos pelo Sindicato.
Diante da denúncia pública feita por um grupo de jornalistas de que a diretoria do Sindicato teria infringido o Código de Ética e o Estatuto da entidade, a Comissão agiu ágil e prontamente no sentido de apurar e de apresentar o seu parecer. A denúncia se referia aos fatos relacionados a uma coletiva de imprensa realizada no dia 25/7, no Auditório João Saldanha, na sede do Sindicato.
A coletiva, com a participação de pais de manifestantes, foi convocada pelas organizações Justiça Global e Grupo Tortura Nunca Mais/RJ para a denúncia de violação de direitos humanos no processo de investigação e prisão desses manifestantes durante a Copa do Mundo. Críticas feitas por ativistas e por seus pais aos jornalistas foram recebidas com constrangimento por alguns dos profissionais em serviço na cobertura da coletiva, ocorrida na manhã seguinte a um episódio de violência contra dois jornalistas, praticada por manifestantes que esperavam a soltura de ativistas presos no Complexo Penitenciário de Gericinó.
A Comissão de Ética ouviu testemunhas, profissionais que organizaram uma petição eletrônica pela renúncia dos diretores e ainda analisou material divulgado na imprensa e nas redes sociais sobre o assunto. Por último, convidou a diretoria a prestar esclarecimentos sobre os fatos no dia 1/8. O encontro, tão respeitoso quanto minucioso e firme, durou quatro horas. A diretoria respondeu todas as perguntas feitas pelos membros da Comissão.
A partir dos dados obtidos por meio dos procedimentos apuratórios, a Comissão de Ética elaborou um relatório final que deveria ter sido apresentado na íntegra durante plenária realizada no dia 7/8, com a presença de 400 jornalistas, no auditório da Escola de Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (Emerj). Por motivo de saúde, a presidente da Comissão, Sylvia Moretzsohn, delegou ao colega Dante Gastaldoni a tarefa da leitura do relatório. Diante, no entanto, de agressiva manifestação de um grupo de jornalistas contra a leitura do documento, o membro da Comissão decidiu divulgar o documento somente a posteriori. Na ocasião, Dante chegou a anunciar a sua saída e da colega Iara Cruz da Comissão. O relatório foi divulgado no dia 8/8, no sítio e nas redes sociais do SJPMRJ.
O nosso Sindicato se manifesta em desagravo à Comissão de Ética por todo e qualquer constrangimento sofrido durante a plenária e pede desculpas à Comissão por não ter havido durante a atividade as condições para a leitura do relatório, cujo conteúdo teria contribuído de modo fundamental para o debate que se seguiu. Lamentamos o episódio e reiteramos o respeito pelo resultado do sério e independente trabalho realizado pela Comissão, formada por nomes de referência eleitos por nossa categoria por sua ética, competência e experiência. Além disso, manifestamos o nosso apelo para que Dante e Iara revejam a decisão de sair da Comissão.
Compreendemos que, especialmente neste momento em que a nossa categoria e o Sindicato que a representa enfrentam ameaças as mais diversas, os jornalistas do Rio precisam garantir o exercício livre, autônomo e independente da Comissão, órgão com um papel central na preservação e no fortalecimento das lutas da nossa categoria.

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