Sindicato dos Jornalistas

domingo, outubro 4, 2026

Jornalistas querem o fim de banco de horas negativo na Rede Globo

Os jornalistas da Rede Globo querem o fim do desconto no banco de horas, o abono de todos os dias em que não forem escalados para trabalhar, escala de trabalho de respeite a folga após o sexto dia de trabalho e a possibilidade de abonar a hora de descanso que não for usufruída pelo funcionário. As reivindicações, aprovadas em assembleia na quinta-feira passada, serão levadas pelo Sindicato na retomada do diálogo em mesa redonda do Ministério do Trabalho.
O sistema que torna o jornalista ‘devedor’ de horas à empresa é a principal queixa entre os funcionários da Globo. São descontadas sete horas a cada sábado que não é trabalhado sob alegação de que esse tempo é pago no contracheque e consta no contrato, apesar de a empresa não convocar o jornalista. O Sindicato entende que essas horas deveriam ser abonadas, já que não é de interesse da Rede Globo que os funcionários trabalhem em todos os sábados.
Conhecido como banco de horas negativo, a prática se espalhou pelas redações cariocas após a adoção do controle de ponto – que foi conquistada pelos jornalistas do Rio em 2011. Parecer jurídico do Sindicato aponta que há jurisprudência que ampare o fim desta prática, por meio do abono de todas as horas que a empresa não solicitar a presença do funcionário.
O Sindicato vai apresentar à Rede Globo uma nova proposta de escala de trabalho, que foi construída na assembleia de quinta. Ela prevê a divisão dos plantões para permitir a folga semanal após seis dias. Nesse esquema, o jornalista trabalharia somente o sábado na primeira semana do mês. Depois, daria expediente no domingo do segundo fim de semana. Por fim, haveria folga nos finais de semana restantes. O sistema funcionaria como referência, já que a rotina do jornalista na emissora implica horários diferenciados.
Os jornalistas da Rede Globo querem ainda a flexibilização do horário de descanso. Obrigatória, de acordo com a lei trabalhista, essa hora deve ser utilizada pelo trabalhador no meio da jornada. A ideia é que a emissora possa abonar o funcionário que não puder usufruir do benefício naquele dia.
A mesa redonda no Ministério do Trabalho foi suspensa em agosto, após cinco meses de diálogo, porque a empresa não apresentou soluções para as reivindicações dos jornalistas. Com a formulação da proposta dos trabalhadores, a expectativa agora é de avanço nas negociações. O Ministério do Trabalho atua apenas como mediador na etapa da mesa redonda, e tenta conciliar os interesses das partes. Caso a solução não seja possível, Ministério Público do Trabalho, fiscalização do MTE e Justiça trabalhistas surgem como alternativas.

Mais notícias