O lucro das empresas de comunicação é inversamente proporcional ao salário dos jornalistas cariocas. Dados compilados pelo economista do Dieese Fernando Amorim revelam que os empresários do setor têm recorrido à prática de demitir quem ganha mais para contratar outros profissionais por salários mais baixos. A apresentação, que traçou uma radiografia do mercado de trabalho para jornalistas, fez parte da assembleia da campanha salarial do Sindicato, realizada nesta quinta-feira (29/01), para subsidiar os argumentos da categoria por melhores salários e mais direitos.
Os gráficos mostram que, apesar do discurso de crise no setor, as empresas de comunicação lucram cada vez mais. As rádios, por exemplo, faturaram 65,7% a mais entre 2005 e 2013 (passando de R$ 114 milhões para R$ 189 milhões). Nas emissoras de TV, a margem é ainda maior: 132% (de R$ 1,06 bilhão para R$ 2,56 bilhões). Até setembro do ano passado, o faturamento publicitário do setor já evoluía 9,3% (rádios) e 10,7% (TVs). A desoneração da folha de pagamentos, tornada permanente pelo governo federal, ainda permitiu às emissoras economizar R$ 163,4 milhões até maio de 2014 – último dado disponível.
Na contramão, os salários dos jornalistas derrapam. A remuneração de um profissional da TV aberta, por exemplo, foi reduzida de, em média, R$ 3.960 para R$ 2.870 de janeiro a dezembro de 2014, segundo dados do Caged compilados por Amorim. A rotatividade explica a depreciação salarial: foram demitidos 142 jornalistas e contratados 188 profissionais ganhando salário 72% menor.
Nas redações dos jornais cariocas, a desvalorização salarial também é vista a olho nu. Nos doze meses de 2014, a remuneração média nesse segmento caiu de R$ 2.726,74 para R$ 2.367,85 – uma diferença de 86% entre os salários dos funcionários demitidos e admitidos. O faturamento dos jornais com propaganda garantiu R$ 752,42 milhões em 2013 e, até setembro do ano passado, já acumulava R$ 485 milhões.
A internet pode ainda turbinar esses ganhos entre os meios impressos: o faturamento publicitário do setor evoluiu 439,5% entre 2005 e 2013, quando alcançou R$ 1,43 bilhão. Até maio do ano passado, essas empresas já tinham economizado R$ 110 milhões com as desonerações do governo federal.

