Sindicato dos Jornalistas

domingo, outubro 4, 2026

Fenaj faz evento paralelo para esvaziar FNDC

A luta pela democratização da comunicação sempre foi central para a defesa dos direitos da sociedade. Os jornalistas e suas entidades representativas têm a responsabilidade ainda maior em abraçar esta bandeira. Neste sentido, nós da diretoria do Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro estranhamos e indignamo-nos com a realização, em Brasília (DF), de uma reunião ordinária do Conselho de Representantes da federação e também de um “seminário interno” sobre democratização da comunicação exatamente na mesma data em que acontece, em Belo Horizonte (MG), II Encontro Nacional pelo Direito à Comunicação, marcado e divulgado desde o ano passado.
É mais uma demonstração da falta de compromisso desta entidade com a construção unitária do movimento pela democratização da comunicação e com a agenda política do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC). Em um momento em que seria necessária a convocação dos sindicatos para este evento, que se torna ainda mais importante pelos fatos da conjuntura, a federação resolve convocar um fórum para Brasília no mesmo período. Nós, da diretoria do SindJor Rio, estaremos presentes aos dois eventos, mas sabemos que isto não vai acontecer com boa parte dos sindicatos de jornalistas; até porque a Fenaj não enviou nenhuma convocação sobre o encontro de Belo Horizonte.
Após anos com controle total sobre um FNDC esvaziado, a Fenaj se retirou da coordenação da entidade em uma ampla plenária nacional ocorrida em dezembro de 2011, após divergências sobre a composição da nova diretoria. Em tese, a federação passou a reintegrar a coordenação na última plenária, ocorrida em abril de 2014. Mas, na prática, as iniciativas e manifestações da federação no campo da democratização da comunicação têm sido isoladas.
A diretoria da Fenaj chegou ao ponto de criticar publicamente a iniciativa do Projeto de Lei de Iniciativa Popular (Plip) da Mídia Democrática, que se propõe a regulamentar de forma imediata direitos à comunicação dentro do atual escopo jurídico. Parte da campanha “Para expressar a liberdade”, o projeto foi elaborado de forma coletiva em fóruns mais amplos do que os do próprio FNDC. Em que pese ainda a falta de adesões para uma entidade amplamente representativa do movimento pela democratização da comunicação, é visível que a atual coordenação do FNDC tem se esforçado para ampliar suas bases e representatividade.
Divisionismo e isolamento não constroem bases políticas sólidas, e estamos na luta para que a entidade que representa nacionalmente os jornalistas passe a integrar, de fato (e não apenas formalmente), um movimento nacional pela democratização da comunicação. Só a união das forças democráticas da sociedade poderá reverter o atual quadro político e garantir de fato o exercício do direito à comunicação. Esperamos mais diálogo e coerência da Federação Nacional dos Jornalistas para que essa convergência política seja possível.
Diretoria do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro

Mais notícias