Os princípios de uma comunicação pública são pautados pelo comprometimento com a diversidade e a pluralidade. Princípios que não podem fugir de nossa prática cotidiana. Na noite do dia 14 deste mês, em um grupo interno nas redes sociais, acompanhamos os ataques gratuitos, machistas e misóginos à jornalista e empregada da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Isabela Vieira, também representante dos trabalhadores no Conselho de Administração (Consad) da empresa. Esta não é a primeira vez que ataques dessa natureza acontecem.
Ao atacar mulheres em posição de representação política, o empregado não atinge somente pessoas físicas, mas todo um coletivo e promove uma política clara de destruição das pautas históricas de direitos humanos, como igualdade de gênero/raça/etnia e respeito à diversidade sexual. Os ataques se sustentam em um discurso personalista e individualista, desconsiderando a diversidade e a necessária luta em defesa dos direitos humanos.
O apoio à então candidatura da chapa “Toca o barco” para o Consad foi aprovado pela categoria durante o I Congresso Municipal dos Jornalistas do Rio, realizado em março de 2014. Isabela Vieira, além de reconhecida profissional, é uma mulher com histórico de luta pautado pela defesa intransigente dos direitos humanos, da comunicação pública e da classe trabalhadora.
Este lamentável e repugnante fato ocorre num momento em que o Coletivo de Mulheres da EBC promove uma importante campanha por igualdade de oportunidades e direitos na empresa. O combate a discursos misóginos e machistas perpassa também pela institucionalização, por parte da empresa, de uma política de gênero comprometida com a igualdade. Tais políticas serão capazes de fortalecer a luta pela mudança da cultura organizacional do ambiente de trabalho e evitar que violências simbólicas se transformem em violências físicas.
Repudiamos os recorrentes ataques misóginos e machistas e nos solidarizamos com a colega Isabela Vieira e com todas as mulheres que sofrem ou venham a sofrer violências físicas ou simbólicas devido à sua condição de gênero. #SimNósExistimos
Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro
