Jornalistas demitidos este ano da Ejesa – que publica ‘O Dia’ e o ‘Meia Hora’ e que recentemente fechou o ‘Brasil Econômico’ – fizeram ato público, hoje, diante do prédio da redação, na Lapa, para denunciar o descumprimento das leis trabalhistas pelos donos da empresa, os portugueses Nuno Vasconcellos e Maria Alexandra Mascarenhas. Com apoio do Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro, os ex-funcionários deram depoimentos sobre o que receberam em troca de décadas de dedicação à empresa: o calote de suas verbas rescisórias e de mais de um ano de depósitos atrasados do FGTS. Muitos estão passando por situações vexatórias, com o nome em listas de entidade de proteção ao crédito e dificuldades para as despesas básicas do dia a dia.
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Em seguida, o grupo foi até o Consulado-Geral de Portugal. Lá, foi recebido por Dilson Santos, secretário do Cônsul-geral de Portugal no Rio de Janeiro, Nuno de Mello Bello, que estava ausente. Santos recebeu das mãos da presidenta do Sindicato, Paula Máiran, carta contendo os pormenores da situação, com pedido de ajuda para tentar superar o impasse. Nos próximos dias, Bello irá receber pessoalmente uma comissão dos demitidos. Na carta, os ex-funcionários informam que foram obrigados a aceitar o parcelamento em até 10 vezes das indenizações a eles devidas, mas que apenas duas parcelas foram pagas aos demitidos em julho, e uma, aos dispensados em agosto. A empresa não sinaliza com qualquer previsão de continuar honrando sua dívida e se recusa a receber comissão de ex-empregados.
Durante o ato público na Rua dos Inválidos, em frente ao número 198, moradores da Lapa prestaram solidariedade, com aplausos e distribuição de maçãs aos demitidos. Paula Máiran, que foi repórter de O Dia no final dos anos 90, lembrou que a equipe daquele diário sempre foi uma das mais aguerridas do Rio e que sempre demonstrou paixão pelo trabalho e orgulho pelo jornal. Em seus depoimentos, os ex-funcionários lembraram os inúmeros plantões em feriados e fins de semana, quando tinham que ficar longe de seus filhos para produzir os jornais que garantiriam o lucro aos patrões. Jornalistas que ainda trabalham na Ejesa estão com salários atrasados e sem previsão de receber seu 13º.
