Sindicato dos Jornalistas

domingo, outubro 4, 2026

Mexicana defende rede de proteção e solidariedade a jornalistas

Jorge Antônio Barros*
A jornalista Balbina Flores Martínez, representante da Repórteres sem Fronteiras (RSF) no México – país mais perigoso para jornalistas, na América Latina – defende a criação de uma rede de solidariedade para enfrentar o problema da violência contra jornalistas e da luta pela liberbade de imprensa no continente. Segundo Balbina, a rede de solidariedade e proteção poderá ganhar agilidade para o monitoramento de casos e a criação de uma pressão maior e mais organizada junto às instituições policiais e judiciais encarregadas da apuração e punição aos responsáveis pela violência contra jornalistas.
— A situação da liberdade de imprensa no México hoje pode ser definida em três palavras: impunidade, insegurança e violência. A impunidade tem prevalecido. E um dos maiores desafios dos meios de comunicação e dos jornalistas é continuar atuando nessa situação de violência, que vive o México. Para enfrentar esse problema é preciso haver uma enorme rede de solidariedade — afirmou Balbina, que participou hoje, na ABI, no Rio, de coletiva do lançamento do relatório anual do ranking internacional de liberdade de imprensa pela ONG Repórteres sem Fronteiras.
Balbina lembrou que o México ocupa a 146ª posição no ranking que lista 180 países em todo o mundo. Ela destaca que o país, mergulhado numa das maiores crises de segurança pública, registrou nos últimos cinco anos 21 assassinatos de jornalistas. Só no ano passado, foram 10 mortos, o que equivale a quase um por mês. Este ano já houve quatro assassinatos de jornalistas no México. A principal causa da violência é a ação de grupos criminosos ligados ao narcotráfico e a crimes de corrupção. Em todo o mundo, a RSF registrou no ano passado 74 assassinatos de profissionais de jornalismo.
Durante a coletiva, na sede da ABI, o representante da Repórteres sem Fronteiras no Brasil, Artur Romeu, explicou que, embora menos violenta, a situação no Brasil é igualmente grave na questão da liberdade de imprensa e nos riscos ao exercício da profissão de jornalista. Nos últimos cinco anos, a RSF registrou 21 casos de assassinatos de jornalistas no Brasil, considerado o segundo país mais arriscado para o jornalismo na América Latina. O Brasil passou de 104ª para 103ª posição no Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa.
Pelo sexto ano consecutivo, o Brasil permanece estagnado na parte inferior do ranking. No ano passado, três comunicadores foram assassinados em Minas Gerais, Ceará e Bahia. Segundo a pesquisa da RSF, “as violências físicas e verbais contra os jornalistas, em particular nas coberturas de protestos, são sistemáticas”. No ano passado, 72 casos de agressões a jornalistas foram registrados pela Abraji. Além dos casos de violência, a RSF condenou também as pressões de instituições e autoridades contra jornalistas, assim como “dezenas de processos judiciais abusivos”.
— A péssima colocação do Brasil no ranking elaborado pela RSF vai além das questões ligadas à violência contra a profissão. Ela reflete a existência de um conjunto mais amplo de problemas, que vão da recorrência de ações judiciais abusivas à deficiência no acesso à informação, passando por um cenário midiático pouco democrático — afirmou Emmanuel Colombié, diretor da Repórteres sem Fronteira para a América Latina.
Além de Colombié, participaram da coletiva os representantes da RSF no México, no Brasil, o presidente da Associação Brasileira de Imprensa, Domingos Meirelles, e o jornalista Ricardo Melo, ex-presidente da Empresa Brasil de Comunicação. A RSF apontou que a exoneração de Ricardo Melo da EBC foi “um grave caso de ingerência do goveno sobre a independência da comunicação pública”.
*jornalista especializado em segurança pública e membro da atual diretoria do SJPMRJ

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