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Maurílio Ferreira: morre um jornalista querido e combativo

A imprensa do Rio acaba de perder um jornalista admirado pelos colegas em todas as redações por onde passou, e foram muitas. Maurílio Cândido Ferreira morreu nesta quarta-feira, 1º de agosto, depois de uma breve internação, quando o estado de saúde dele se agravou por causa de uma pneumonia. 
Carioca, 88 anos, Maurílio trabalhou no Globo, Jornal do Commercio, o Jornal, Correio da Manhã, DCI e na assessoria de comunicação da Companhia Siderúrgica Nacional.
Era conhecido pelo seu bom humor, pelo temperamento afável e por sua militância sindical e política. Foi diretor do Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio, onde fez parte também da Comissão de Ética. Na Associação Brasileira de Imprensa Maurílio foi do Conselho Deliberativo por mais de uma vez.
Na política, foi militante do Partido Comunista Brasileiro na época mais dura da repressão, quando era preciso ter sangue frio para enfrentar algumas situações. Uma delas aconteceu em pleno horário de trabalho, na redação do Jornal do Commercio.
Maurílio estava naquela correria do fechamento quando recebeu um telefonema interno, da portaria. Ficou sabendo pelo funcionário que “dois senhores” procuravam por ele. 
Já desconfiado do que se tratava, Maurílio desceu, um tanto apreensivo, e não deu outra: eram dois policiais que disseram ter ordens de levá-lo ao Dops para “prestar esclarecimentos”. 
Certamente os policiais não contavam com a reação daquele jornalista que eles queriam levar. Procurando manter a calma, Maurílio explicou que estava na pior hora para interromper o trabalho — o fechamento do jornal. Pediu então que os policiais esperassem um pouco, que ele logo voltaria, assim que acabasse.
Surpresos, os policiais se entreolharam e acabaram concordando. Felizmente, nada de mais grave aconteceu com o Maurílio, além da visita forçada ao prédio do antigo Dops.
Maurílio Ferreira teve quatro filhos, entre eles a também jornalista Marília Viana Ferreira.
O sepultamento vai ser nesta quinta-feira, dia dois, às 11h45m no Cemitério do Caju. O velório começa às sete horas, na Capela B.

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