Irene Cristina*
Senti falta da participação política de Marcelo Beraba nos obituários publicados.
E ele foi um excelente dirigente sindical.
Conheci Beraba no final da década de 1970, no jornal O Globo e militamos no sindicato do Rio quando fomos eleitos para a diretoria em 1981.
Naquele ano, duas chapas disputaram as eleições: uma do partidão encabeçada pelo Caó e outra dos jovens jornalistas que seguiam os caminhos do novo sindicalismo que tinha surgido no ABC. Ficou acordado que, no lugar das chapas, os nomes seriam apresentados e os mais votados iriam compor a diretoria.
Assim, Caó, reeleito, assumiu a presidência e Fichel Davit, a vice. E Beraba ocupou a Secretaria Geral.
Todos os jornalistas figurões da época foram eleitos, de Ziraldo a Dines, entre outros. Mas a nossa chapa, encadeada por Beraba recebeu a maior parte dos votos e assumimos a maioria das diretorias executivas e comparecíamos todos os dias para trabalhar numa grande composição poucos anos após o resgate do sindicato das mãos de um pelegão, comum na época da ditadura.
Quando todos diziam que não conseguiríamos decidir nem o local de instalação de um bebedouro, colocamos o sindicato para funcionar, receber novos associados, implantamos representações nas redações e encampamos os movimentos salariais necessários, inclusive a jornada de 5 horas por dia acrescida ou não de duas horas extras que já constava do nosso decreto de 1979, mas que ainda não era cumprida na maioria das redações.
Depois ele foi para São Paulo e assumiu funções de direção em sucursais, mas para mim ficaram essas lembranças de um Beraba combatente.
Beraba, companheiro, presente!
*Jornalista, profa dra aposentada UFF, ex-presidenta do Conselho Deliberarivo da ABI e ex-diretora do SJPMRJ
Foto: Werther Santana/Estadão

