Não são apenas os jornalistas que as empresas de jornais e revistas do Rio tratam com descaso e intransigência nas negociações salariais. Os gráficos também sofrem com atrasos na conclusão da convenção coletiva do ano passado por conta das dificuldades interpostas pelos patrões ao negociar as cláusulas. Caso a negociação não seja concluída até o dia 30, os trabalhadores planejam fazer greve e uma manifestação em frente à Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Rio, onde será realizada mesa redonda para tratar da convenção coletiva. Temendo a reação dos gráficos, o sindicato patronal apresentou na semana passada uma contraproposta que contempla as reivindicações dos trabalhadores, mas ainda há impasse sobre o pagamento do retroativo – que as empresas desejam parcelar -, segundo Valter Aranha, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Gráficas do Município do Rio de Janeiro.
Com os jornalistas, após diversas tentativas dos trabalhadores em negociar com os patrões, a convenção coletiva de 2015 deverá ser decidida na Justiça. O Sindicato ingressou com pedido de dissídio no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) para concluir o acordo dos jornalistas que atuam em jornais e revistas na capital. Além de não responderem aos pedidos de reunião, e adiar ao máximo a realização de mesas de negociação, os patrões não quiseram saber de propostas de conciliação nas três mesas redondas realizadas desde o início do ano no Ministério do Trabalho e Emprego. Os empresários querem impor um piso salarial abaixo do previsto em lei estadual (R$ 2.432,72 para jornadas de cinco horas) e obstruem a conclusão da convenção coletiva da categoria – que é prejudicada com perdas salariais desde o ano retrasado. As negociações da Campanha Salarial 2016 foram iniciadas já com a mediação do Ministério do Trabalho e Emprego.
As empresas ainda se valeram de práticas antissindicais e assédio moral para tentar forçar a categoria a aceitar um acordo que reduz direitos. No mês passado, o Sindicato denunciou a Infoglobo ao Ministério Público do Trabalho (MPT) por constranger e pressionar os funcionários nas redações a subscrever um abaixo-assinado que reivindica um piso salarial menor que o da lei.

