Sindicato dos Jornalistas

domingo, outubro 4, 2026

Sindicato dos Jornalistas repudia violência contra a categoria e defende os direitos humanos

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro repudiou veementemente mais um episódio de violência praticada por manifestantes políticos contra profissionais da nossa categoria, ocorrido nesta quinta-feira (24/7). Foram agredidos os repórteres de imagem André Mello, do jornal O Dia, e Thiago Ramos, do SBT, quando tentavam realizar a cobertura da libertação de manifestantes políticos presos. O manifesto de repúdio à violência contra nós, jornalistas, se deu em coletiva de imprensa realizada no nosso auditório, na manhã desta sexta-feira (25/7). Classificamos como injustificável o ataque aos colegas. Também denunciamos que já passam de 90 os jornalistas que foram agredidos em manifestações desde maio de 2013. Além disso, também reforçamos a recomendação para que tais casos sejam registrados em delegacia e pusemos o nosso jurídico à disposição das vítimas.
A coletiva ocorreu durante atividade que havia sido programada previamente, organizada pelo Grupo Tortura Nunca Mais/RJ, a ONG Justiça Global e a Rede de Comunidades e Movimentos. Inicialmente, a coletiva seria realizada com os pais de manifestantes que ficaram presos no Complexo Penitenciário do Gericinó, na Zona Oeste, e com representantes das organizações de direitos humanos. A libertação dos presos na véspera, em meio ao grave episódio de violência contra jornalistas, alterou, no entanto, a tônica da atividade. Esta se tornou uma oportunidade para o diálogo direto dos jornalistas com os pais e alguns manifestantes presentes sobre a necessidade de se dar um basta à barbárie nas ruas.
A coletiva durou cerca de duas horas, a partir das 11h. Além de terem verbalizado o repúdio à violência praticada contra os colegas na véspera, os jornalistas ouviram o depoimento dos pais dos ativistas libertados, que, pela primeira vez, vieram a público denunciar arbitrariedades, abusos e excessos do Estado na repressão aos seus filhos. As famílias também protestaram contra o tratamento editorial dominante nas reportagens realizadas pela imprensa sobre as investigações e processos relacionados aos manifestantes. Além das perguntas dirigidas aos pais, os jornalistas também tiveram a oportunidade de cobrar dos ativistas presentes o respeito ao legítimo exercício da profissão e o fim das hostilidades e agressões.
Consideramos um equívoco que os profissionais da imprensa tenham sido responsabilizados pelos pais dos manifestantes por desvios de conduta ética verificados em algumas reportagens. O Sindicato advertiu que a responsabilidade pela linha editorial é sempre das empresas. Trata-se não só de crime, mas de grave retrocesso na luta por direitos humanos a prática de violência contra jornalistas, que são defensores de direitos humanos, da democracia e da Constituição por dever ético de ofício. Ao final da coletiva, fizemos um apelo contra a animosidade mútua entre jornalistas e manifestantes e pela união de esforços entre todos que lutam por democracia e liberdade de expressão.
Vamos lutar incansavelmente contra a violência que enfrentamos tanto por parte dos manifestantes como, em escala ainda muito mais grave, do próprio Estado. Mas não podemos admitir que a defesa do nosso direito ao trabalho e da nossa integridade física, assim como da liberdade de imprensa, sirva de pretexto para nos eximir, como categoria, do nosso papel político na sociedade. Precisamos continuar lutando pela democratização da comunicação no nosso país e contra práticas de Estado arbitrárias e incompatíveis com um Estado democrático de direito. Não podemos compactuar com aqueles que agem de modo a provocar e a acirrar um falso conflito de interesses entre jornalistas e manifestantes políticos. Não podemos aceitar a nossa criminalização tanto quanto rejeitamos a perseguição aos movimentos sociais e aos militantes políticos. Essa lógica fratricida só fragiliza a luta dos trabalhadores por seus direitos e alimenta a barbárie nas ruas. A quem pode interessar isso?
Paula Máiran
Presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro

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