O senador Lindberg Farias (PT-RJ) assumiu o compromisso de lutar pela garantia dos direitos dos trabalhadores da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Ele esteve reunido, na tarde desta sexta-feira (12), com o diretor do Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro, Leonel Querino, com a representante suplente dos trabalhadores da EBC no Conselho Administrativo (Consad) da EBC, Isabela Vieira, com os representantes da Comissão de Empregados da EBC, Carolina Barreto e Victor Ribeiro, e com o deputado estadual Gilberto Palmares (PT-RJ). O encontro foi articulado pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro.
Lindberg ficou espantado ao saber que a chapa vencedora das eleições para o Conselho de Administração (Consad), em abril, com mais de 80% dos votos dos trabalhadores, ainda não tomou posse. “Vamos articular isso já na semana que vem. Precisamos garantir essa representação efetiva ainda este ano”, destacou o senador. A chapa tem como titular Edvaldo Cuaio.
Durante a reunião, o senador conheceu também os motivos que levaram os trabalhadores a entrarem em greve no ano passado e a paralisarem suas atividade na última terça-feira (9), com grande adesão, notadamente na praça Rio de Janeiro. Ele foi informado sobre a falta de disposição da empresa para ouvir os trabalhadores sobre o Plano de Cargos e Salários, que começou a ser elaborado há dois anos e já consumiu mais de R$ 1,2 milhão de reais, em gastos como a contratação da consultoria FIA/USP e viagens para reuniões.
“A empresa insiste em não ouvir os empregados, além de desconsiderar propostas concretas dos trabalhadores enviadas durante o período de contribuições na intranet e decididas em assembleia”, explicou Leonel Querino.
“Quero me declarar completamente favorável à construção de um Plano de Cargos e Salários em conjunto com os trabalhadores. Uma empresa pública se faz assim: no diálogo com seus funcionários”, reforçou Lindberg.
O deputado Gilberto Palmares frisou a posição de protagonismo que os trabalhadores devem ter – e exercer – na construção de uma empresa de comunicação forte. “A criação da EBC foi extramente importante nessa luta do povo brasileiro para estabelecer a democracia nas comunicações. Agora, não existe EBC forte se não se valorizar seus trabalhadores e se não se garantir o diálogo permanente com esses trabalhadores”, finalizou.
PRÓXIMOS PASSOS
Lindberg Farias se comprometeu em articular com ministros e outros parlamentares uma rede aberta de diálogo com trabalhadores da EBC. “Se possível, já no dia da posse conversarei sobre isso com ministros, senadores e deputados, lá em Brasília. Esse diálogo deve se intensificar no final do mês de janeiro e no início de fevereiro, com o começo do ano parlamentar”, afirmou.
O senador recebeu ainda uma cópia do Dossiê de Práticas Anti-Sindicais, divulgado no final do mês de outubro e ainda não respondido pela diretoria da empresa. Ele frisou que a valorização da comunicação pública e de seus trabalhadores é fundamental para a democratização da comunicação e para a consolidação da própria democracia no Brasil.
REPERCUSSÃO
A paralisação dos trabalhadores da Empresa Brasil de Comunicação foi reportada pela Agência Brasil, pela Radioagência Nacional e pela Rádio MEC, além de outros meios de comunicação, como os jornais O Globo e Brasil de Fato, e os portais da Imprensa, Carta Maior e Vermelho, entre outros.
Desde a greve histórica de 2013, os trabalhadores da EBC vêm recebendo apoios de movimentos sociais e de políticos. Nesta semana, essa corrente de solidariedade se ampliou. Além do senador Lindberg Farias e do deputado estadual Gilberto Palmares, pedidos para que a empresa compartilhe sua gestão de forma participativa com os empregados também foram feitos pelo movimento Luta Fenaj; direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST); Conselho Indigenista Missionário (Cimi); presidência da TV dos Trabalhadores (TVT); deputados federais Jean Wyllys (Psol-RJ), Ivan Valente (Psol-RJ), Chico Alencar (Psol-RJ) e Jandira Feghali (PCdoB-RJ); deputados estaduais Marcelo Freixo (Psol-RJ) e Carlos Minc (PT-RJ); vereador pelo município do Rio de Janeiro Reimont (PT), entre outros.

